quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Victoria ainda dormia quando acordou assustada após ouvir um forte baque que sacudiu o carro e consequentemente seu corpo para a o teto do porta-malas.

Gemeu baixinho de dor ao abraçar as costelas. Um dos seus principais ferimentos provocados pela surra que levara do irmão.

E ao constatar isto também havia percebido que o carro parara, mas nada podia fazer com os pulsos e os tornozelos acorrentados.

O porta-malas foi aberto. Com estranha alegria apreciou os raios de sol que adentravam bloqueados pela silhueta de um homem.

Richard Ravener, seu irmão. E ele empunhava uma arma na sua direção.

- Levanta-se. - ordenou com frieza.

- Estou amarrada, sr. Inteligência absoluta! - debochou com desprezo.

-  E é claro que eu iria lhe dar a chave. - rosnou sem nenhuma emoção. - Mas, estava apreciando seu humor... - fez uma leve pausa, e sorriu. -  É a última vez mesmo.

Uma fina gota de suor desceu da testa de Victoria. Rezou, desejando que o último plano de Robert desse certo. E que Richard a deixasse viva até lá. 

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O nervosismo pareceu contagiar de uma vez só todos os CSI ali presentes. Vestidos a rigor, usavam coletes à prova de bala, armas devidamente escondidas e óculos de tiro utilizados para melhorar ao máximo sua capacidade visual para mirar.

Sara, no entanto permanecia impassível. A notícia do sequestro de Victoria podia não ser uma novidade, mas agora sentia-se pessoalmente responsável pela segurança da garota depois de encontrar o anel.

Sara: Novidades? - perguntou à Jim que chegava com uma expressão neutra.

Jim: O filho da mãe foi esperto, e pelo visto tinha culpa, porque antes de ir pro interrogatório pediu as contas da hospedagem. 

Greg: E segundo o depoimento do maleiro ele testemunhou uma discussão entre Richard e Victoria no saguão do hotel.

Grissom: Talvez, estivessem combinado um álibi e um deles discordasse.

Jim: E você tem razão. A rotina do dia do homicídio de ambos é similar, mas o horário contradiz totalmente.

Grissom: Além da lividez dos corpos. - refletiu em voz alta.

Catherine: Nós vamos ficar aqui discutindo circunstâncias científicas da morte, ou ir atrás do assassino? - revoltou-se Sara.

Nick: Catherine tem razão. - afirmou Nick em voz alta.

Sara: Eu também acho. - concordou Sara com um pouco mais de entusiasmo.

Grissom: Quem disse que isso não leva a algum lugar? As evidências, como nosso amigo Nick, sabe jamais falham. E neste momento elas apontam para o lugar onde tudo isso começou, e Rick quer terminar. - finalizou enigmaticamente.

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Ao entrar novamente naquela casa todos os pesadelos de Vick pareceram se materializar. Quis gritar por ajuda no momento em que percebeu que havia voltado a Rua River, mas se lembrou de que também que Rick não se arriscaria entrando ali se não tivesse certeza que estava sozinho. Provavelmente, viajando para o exterior com suas famílias até a tragédia ser esquecida.

Richard: Ah, lar doce lar! - enfatizou dramaticamente ao entrar. - Essa casa não nos traz boas lembranças, irmã?

Victoria: Péssimas para mim, mas para você devem ser ótimas. 

Richard: Adivinhou. Com essa sua mesma inteligência você também deve ter constatado o que eu quero não é?

Victoria: Não sei onde está o dossiê. - mentiu. - Robert me disse que deu ele à um amigo de confiança para guardá-lo em segurança.

Richard riu.

Richard: Amigos? Sério, você que aquele moleque devia ter mesmo amigos? Eu esperava mais de você, irmãzinha. - debochou. 

Victoria: Pense bem no que vai fazer, Richard. Renegando ou não seu sangue nós somos irmãos! 

Richard: Que mentira, irmãzinha. Eu me orgulho tanto do meu sangue que eu quero o seu! Vou te dar uma morte rápida e sem dor se me der o dossiê. Se não... - ele sorriu maníaco. - Vamos jogar!

Victoria suspirou. No momento que fechou os olhos um fluxo de memórias tristes e também felizes a invadiu. 

Victoria: Boas opções. - ela disse alegremente. - Mas, eu prefiro adrenalina. Vamos jogar!  

Richard piscou duas vezes chocado, mas sorriu. 

Richard: Se é o que você escolhe! - deu um tiro pro alto que ecoou por toda mansão, e sorriu. Correu para escada, pulando os lances de dois em dois degraus. Richard andou alguns passos sem nenhuma pressa.

Com um tiro certeiro, a perna direita de Victoria foi atingida. Reunindo todas as suas forças correu e arrastou-se para o quarto de Robert. Richard a chutou com um pontapé nas costas. Segurou seu queixo lhe desferindo dois tapas.

Richard: Fraca! Dos meus irmãos só admirava você por ter algum cérebro e dava alguma atenção a Robert por identificar nele semelhanças, mas só isso?

Victoria sorriu. Os lábios e os dentes ensanguentados. Espumando de ódio apontou a arma para a testa da garota. Não precisava dela para encontrar o dossiê. Acharia sozinho.

Ao ver a arma tão próximo, o sorriso de Victoria se desfez. Ainda olhava atentamente para trás, com um golpe certeiro de karatê deu-lhe um golpe no braço que fez a arma cair no chão e com o punho socou seu nariz.

Desorientado, ele cambaleou. Em poucos segundos, Sara o deixou inconsciente. 

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Levado pelos polícias, Richard praguejava e berrava maldições em todas as direções. Catherine não pode evitar rir, e acabou por contagiar Nick e Warrick ao seu lado. 

Victoria, mesmo ferida, ficaria bem e haviam acabado de saber que o processo de emancipação judicial movido pela menina dera certo. 

Sara, entretanto não se juntou aos amigos. Quis dar um beijo demorado em Grissom pelo seu já esperado sucesso na resolução do caso, mas decidiu conversar com Victoria. Tinha uma dúvida que a atormentara.

Deitada na maca da ambulância, estava anestesiada e mantinha um sorriso débil no rosto juvenil. 

Sentou-se, sem saber como começar.

Victoria: Faça a pergunta. - sussurou a menina com a voz rouca. Sara levou um susto.

Sara: Porque? Sabe, decidiu jogar. E se nós não tivéssemos chegado?

Victoria: Aí, eu estaria em maus lençóis. - brincou. - Mas, eu precisava de tempo. Minha intuição dizia que iriam me encontrar.

Sara: E o...

Victoria: O anel? Você está com ele? Gostaria de estar com ele para lhe responder esta pergunta. 

Sara piscou, mas não fez nenhuma objeção. Retirou o anel do bolso e o entregou a menina que pareceu radiante. Seus olhos estavam marejados.

Victoria: Obrigada! Obrigada mesmo! - agradeceu emocionada, envergonhada por ser flagrada naquele estado tão frágil, a garota logo se recompôs. - Eu sabia qual era o horário do fim do seu expediente. Quis esperar o Richard terminar o interrogatório, esperava arrancar o apoio dele no meu processo, mas afinal de contas não fora preciso. 

Sara: Mas, porque eu? - ela questionou incrédula.

Victoria: Sei reconhecer uma mente intelectual quando a vejo. E nós duas somos muito parecidas. - refletiu. - Nós odiamos nossos pais pelos seus atos. E ajudamos quando se precisa. - terminou sorrindo. 

Sara saiu da ambulância incrédula, mas não pode evitar um sorriso maroto. A garota era mesmo muito parecida com ela nessa idade.

Seus devaneios, no entanto foram interrompidos pela risada familiar de alguém que ela conhecia muito bem. E que amava.

Grissom: Acabei ouvindo sua conversa com a menina sem querer. - desculpou-se solenemente. - Mas, se isso for verdade você deve ter sido uma menina muito sapeca naquela idade.

Sara: Nem tanto. - retrucou chateada. - Não iria ajudar o assassino do meu irmão a esconder o corpo.

Grissom: Não dava para ela fazer isso naquelas circunstâncias, amor. Se bobear o assassino estava livre até agora aproveitando sua fortuna em algum lugar da Europa. - disse abraçando-a. 

Sara riu, apesar do clima tenso da situação. Colocou seus braços em volta do pescoço de Grissom.

Sara: E eu não vou ganhar nenhuma recompensa por ter paralisado o bandido antes que ele matasse a menina?

Grissom: Hum... - Grissom fingiu pensar. - Que tipo de recompensa você quer?

Sara: Seu beijo. 

Grissom a recompensou. 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Personagens Convidados [1]

Victoria Valentina Ravener
14 anos, irmã do meio, Victoria é uma jovem de extraordinário intelecto que jamais perdoou seus pais pela sua negligência, mas que ainda cultiva intimamente o desejo por atenção. Não tem nenhum afeto pelo irmão mais velho, e demonstra seu carinho pelo irmão mais novo com xingamentos diários. Odeia a namorada do seu irmão, Natalie.

Richard Edward Ravener 


19 anos, Richard é arrogante e ambicioso, ainda que seja facilmente manipulável pela namorada, e faça o mesmo com os outros. É inteligente, mas desperdiça a mesma com objetivos obscuros. Sempre se lamenta na frente dos irmãos do fardo que é cuidar deles. Tem uma leve simpatia por Robert, seu irmão mais novo, e admira a inteligência da irmã, Victoria, mas apesar disso odeia o resto de sua família.

Robert Theodore Ravener

12 anos, o mais perigoso dos irmãos sofre de transtorno de bipolaridade e apresenta características sociopatas, mas ama a família e idolatra os irmãos, especialmente Robert, seu irmão mais velho que nutre uma leve simpatia por ele por conta de suas semelhanças. Odeia a namorada do irmão, Natalie.

Natalie Morgan
18 anos, sedutora e manipuladora, Natalie é uma víbora ainda que vista pele de cordeiro aos olhos do namorado, não engana os cunhados: Robert e Vick, que a detestam. Ambiciosa, é uma alpinista social que planeja ficar rica usando o namorado como degrau. Incentiva Richard a matar os irmãos.

EPISÓDIO: 9x01 - Sangue do meu Sangue. 
Horas antes...

O maxilar de Victoria tremia. Não queria admitir, mas pela primeira vez na vida sentia medo.  Era verdade: detestava seu irmão caçula pela sua estúpida ingenuidade, mas ele era um consolo. O único que apesar das brigas e discussões não havia a abandonado. Mas, ele se foi... Não lhe restava nada. Contava mesmo seus pais como falecidos.


E Rick. Nesse havia perdido esperança há tempos desde que conhecera a tal Natalie e havia mudado feito cerveja de churrascaria para cerveja vagabunda do botequim.


Quase sorriu com a piadinha interna, mas suas divagações foram interrompidas pelo som de um pigarreio alto.


Jim: Victoria Valentina Ravener, 14 anos, estudante... Uau! Universitária. Inteligência precoce?


Victoria: Sim, também tenho três blogs, um twitter com 50 mil seguidores... ah! Um poodle preto chamado François. - acrescentou com arrogância. 


Jim: Não o encontramos no local do crime. - brincou Jim.


Victoria: Ele morreu há dois anos. Viu? Precisam averiguar corretamente suas informações.


Jim: E nós averiguamos, a srta. é que está sendo evasiva para não responder as perguntas! 


Victoria: Ué, então as faça.


Jim deu um profundo suspiro desgostoso. Seria um longo interrogatório, mas ele havia lidado com casos piores. Pensando melhor, não havia lidado não. 


Jim: Certo. Qual era a sua relação com os seus irmãos?


Victoria: Amigável. Não éramos grudentos, mas não nós odiávamos. 


Jim: Não é o que parece, seu irmão está morto.


Victoria: Não sou surda! - rosnou, travando o maxilar. Não iria chorar, não iria chorar... - Já me contaram. 


Jim percebeu de cara o seu desconforto pois mudou rapidamente de assunto.


Jim: E quando foi que o viu pela última vez?


Victoria: Não sei o horário exato, mas lá pela meia-noite. Estávamos brigando pelo controle remoto. Rob se chateou e correu para o quarto do nosso irmão reclamar. Ouvi Rick gritar, e vi o seu vulto correndo de volta para o quarto. Acho que ele acabou vendo algo que não deveria. - um sorriso matreiro iluminou sua face. - E bem se a namorada dele estava lá, ele realmente viu algo que não deveria. - enfatizou maliciosamente.


Jim assentiu satisfeito sem falar uma palavra. 


Jim: E a relação do seu irmão mais velho com vocês? 


Victoria hesitou. Parecia estar presa em um doloroso conflito interior.


Victoria: Diria que é a de uma criança com um brinquedo novo. Você brinca com ele durante um tempo, então quando se torna obsoleto... - sua voz tremeu um pouco. - Joga fora. - finalizou enigmaticamente.


Agora


Richard não demonstrou qualquer emoção. Parecia neutro. Jim podia ver as engrenagens do seu cérebro trabalhando nas possibilidades.


Richard: Interessante. Parece que eu e minha irmã compartilhamos opiniões semelhantes.


Jim: Sem dúvida. Agora voltando às perguntas: Quando foi a última vez que você viu seu irmão?


Richard: Não sei a hora exata, talvez, umas dez horas.


Jim levantou uma das sombracelhas claramente interessado. Álibis interessantes, pensou consigo mesmo.


Jim: Certo. Em que circunstâncias?


Richard enrubesceu.


Richard: Uma coisa, quer dizer uma cena íntima que ele sem querer interrompeu.


Jim travou o maxilar obstinado. Um sorriso ameaça pairar em sua face enrugada. Richard pareceu perceber porque se remexeu desconfortável na cadeira.


Richard: São só essas as perguntas? - perguntou, ameaçando se levantar.


Jim nada falou.


Jim: Falta uma, mas ela é um pouco impessoal. - falou recuperando a seriedade. - Isso é claro se quiser responder.


E eu não quero, pensou aflito, mas isso naturalmente só complicaria a sua situação atual.


Richard sentou na cadeira, aprumando-se.


Jim: Natalie tem origem pobre, Rick. - ele fez uma leve pausa. - Posso chamá-lo assim?


Richard assentiu sem fazer nenhuma objeção.


Jim: Os Ravener são uma das famílias mais ricas e influentes de... - Jim não terminou. Richard fizera um gesto para ele parasse.


Richard: Já sei o que vai dizer. É o que todos me dizem! Sim, Natalie me amava e eu não tenho dúvidas disso. Terminou? 


Jim: Sim. Você parece nervoso não quer...


Richard: Já estou bem. Quando eu e minha irmã podemos sair daqui?


Jim: Seus pais estão vindo de avião para cá até amanhã. Eles também contratarão um advogado para fazer sua defesa, então suponho como maior de idade e responsável judiciário atual da sua irmã vocês podem ir.


Richard: Típico. Os Raveners só dão importância aos filhos quando sua reputação está para ser manchada. - desdenhou debochadamente.


Levantou-se na rapidez de um raio, e batendo a porta ao sair.


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Autópsia


Albert observou o corpo da jovem estendido na maca de ferro com curiosa suspeita. Os exames feitos até agora comprovavam que já estava clinicamente morta horas antes do suposto ''horário do crime''.  


Não se sentia ansioso ou nervoso por descobrir a causa. Era como o trabalho de um artista: concentração e disciplina.


Virou-a delicadamente de bruços, localizou um profundo corte acima da nunca. O sangue manchava seus cabelos louros platinados.


Lado de fora


A sala de espera sempre pareceu um lugar excitante para Victoria. Todos, inclusive ela, iam, mas sempre voltavam. Só que desta vez eles haviam ido definitivamente. E não voltariam.


E a decisão que havia tomado, era com certeza definitiva. Começaria agora.


Richard bateu a porta ao sair com um olhar quase insano, entretanto, manteve a postura. Ajeitou a camiseta verde oliva, e lançou um olhar feroz para a irmã que parecia saber o que aconteceria.


O local estava praticamente vazio. Folga de quase todos os funcionários. Ninguém veria.


- Irmãzinha, irmãzinha... - ele cantarolou com aparente calma. - Você fez uma coisa muito, muito feia. - cerrou um dos punhos. - Precisa ser punida!


Victoria: Não foi proposital. - ela tentou justificar, levantando-se. - Já me ferrei muitas vezes por causa de mentiras. Não quero que essa seja uma.


Richard:  E será! - agarrou seu braço, apertando-o com força. - Nós havíamos combinado um álibi!



Victoria: Não faça esse discursinho de injustiçado. - quase cuspiu. - Você também colocaria a culpa em mim.


Ele empalideceu. Afrouxou a mão em seu braço. Victoria retirou o braço num movimento rápido. 


Um sorriso sádico iluminava seu rosto.


Richard: Você sabe... - ela sussurrou incrédulo. - Como?


Victoria: O último ato do nosso irmão foi bastante sensato. Adivinhe, só onde ele escondeu?


Richard: Não! Ele confiava em mim.... Me idolatrava! 


Victoria: Eu conhecia nosso irmão, Rick. Assim como nós dois, ele aprendeu a guardar segredos no colo da nossa mãe. Segredos e mentiras... Foi assim que fomos criados, e Rob...  - seu sorriso murchou. - Tinha o pendor natural.


Richard pareceu ter voltado ao normal. Seus olhos faiscaram.


Richard: Pense bem no que vai fazer, irmãzinha. Eu tenho um carro, uma conta bancária recheada, e sou bem mais forte... Te levo daqui, arranco o dossiê, e me livro do que restar do seu corpo. 


Victoria riu. Um riso sádico e desdenhoso.


Victoria: E acha que vai se safar? Os tiras estão na sua cola. Logo, logo eles conseguem um mandato para averiguar toda a casa. E a autópsia... - seu olhar tornou se sombrio. - Vai revelar a verdadeira causa da morte. 


Richard pareceu pensativo. Viu seus olhos se esgueirarem discretamente para a porta, viu seu olhar sombrio e gélido para um pôster policial com a imagem de um homem asiático de cabeça raspada atrás das grades.


Richard: O que você quer então? Não dá para destruir evidências sem que marcas sejam deixadas.


Victoria deu de ombros sem importar.


Victoria: Papai e mamãe são podres de ricos vão mover mundos e fundos para te tirar daí e limpar o nosso sobrenome. Você me dá uma grana, eu destruo o dossiê. Contrato um advogado, peço emancipação judicial, reivindico minha herança. Pronto, você está livre.


Richard olhou para o chão, começou a andar em círculos. Suspirou. 


Richard: Você tem razão.


Victoria: O que?


Richard: ... das três serpentes, só uma tinha veneno. Robert. Mas, para garantir a sobrevivência não é preciso só veneno. - Ele olhou para irmã. O brilho vermelho refletido em sua íris.  - É preciso de inteligência. Planejar a armadilha. - ele a rodeou. - Encurralar a presa. E dá o bote.


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Nick tinha uma expressão cansada, mas triunfante. Era verdade, afinal de contas, um sobrenome conhecido ou uma conta bancária recheada podiam vencer a tenacidade dos CSI.


E ele era um.


Nick: Consegui! - anunciou ele triunfante ao entrar na sala de Grissom, arfando. - O mandato! Podemos averiguar a casa.



Grissom levantou uma das sobrancelhas levemente interessado.


Grissom: Obrigado por ter tentando, Nick, mas não foi preciso. Sara já está lá. E... – levantou um relatório. – Já recebi o resultado da autópsia.

Nick: O que? Sara foi lá sem autorização... Mas, isso pode dar suspensão. Pior demissão!  - enfatizou sem conter a frustração.

Grissom: Quem disse que ela não tem autorização?  – virou a tela do seu computador de frente para Nick.


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Sara andava pelos corredores do prédio do CSI apressadamente. Consultou o relógio por um instante. O fim do seu expediente.


Uma sensação de dever cumprido apoderava-se dela, embora agora que reavia os fatos, o caso pareceu mais fácil do que inicialmente. 


Parou.  Ouviu o clack de algo metálico sendo pisado pelo seu sapato.


Um anel prateado com uma ônix preta incrustrada jazia no chão gélido do local. 


Estreitou os olhos. Aquele objeto era familiar. 


Sara arregalou os olhos ao ver a silhueta de uma moça. Entre 13 ou 14 anos, sentada na calçada suja da Mansão rodeada por viaturas. 


Usava uma camiseta preta, com a imagem de uma barbie decapitada. Um jeans surrado com cortes no joelho e uma anel prateado com uma ônix preta incrustrada. Seus olhos castanhos expressavam medo... E dúvida.


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Grissom: Então é isso. - finalizou Grissom para um Nick incrédulo.


Nick: Mas, só?


Grissom: Só.


Nick pareceu pensativo.


Nick: Então como saber se é verdade? Tudo que está aí?


Grissom: Eu averiguei todas as informações, é claro. 


Nick: Porque... Porque não me contou antes? Isto poderia ter facilitado a investigação!


Grissom: Ninguém sabia. Aliás, você está sendo um dos primeiros a receber esta informação. Quando recebi este e-mail, supus erroneamente que se tratasse de alguma brincadeira de mau gosto com o objetivo de atrapalhar a investigação. Mas, então porque dois dossiês?


''Algo estava errado. Eu sabia disso, mas não pude deixar de notar o quão verossímeis as informações eram. E comecei a averiguar. 


Tudo sigilosamente, é claro, e sem burlar as ordens recebidas: Não interferir na cena do crime, e coletar evidências. Comecei pelo telefone celular. Está foi uma demonstração de extraordinária inteligência do rapaz ao jogar o telefone celular do irmão pela janela. À está altura, Richard não poderia se livrar ou dele, ou deletar seus contatos questionáveis.


Grissom pareceu estranhamente ansioso ao entrar naquele local, seu sexto-sentido super apurado para evidências apitou desesperadamente. Pisou no gramado mal aparado temendo intimamente que fosse atacado por algum animal, como uma vez havia ocorrido na sua infância.


Estreitou seus olhos. Viu um objeto espesso e prateado na grama. Curioso, foi até lá e agachou-se. Um celular. Vestiu a luva de látex, pegou o objeto e o colocou num envelope plástico para evidências, pôs em seu bolso.


Depois disso, comparei as digitais para saber a quem pertencia o celular.


Jim abriu a porta. Trazia uma ficha consigo. Espiando de soslaio viu Richard Ravener beber todo a água do copo num só gole. Sorriu levemente. 


E conferi as últimas ligações feitas. A surpresa. O garoto tinha contatos importantes com os intermediários de grandes traficantes.


Nick: Mas, Sara? - interrompeu Nick ansioso. - Porque ela teve autorização, então?


Grissom: A primeira coisa que fiz depois de tudo foi acrescentar ao dossiê provas que comprovavam a verdade nessas informações. Contactamos o alto escalão para apresentá-las, visto disso, o FBI não pode mais interferir. E muito menos a família Ravener.


Jim entrou na sala de Grissom. Seu olhar era gélido.


Grissom: Trouxe a gravação?


Jim: Sim, mas se esse é o seu plano, eu o aviso -


Grissom fez um gesto interrompendo-o. Apertou a tecla verde para efetuar ligações. 


- Filho da puta! Não vê que que tava interrompendo minha foda, desgraçado? - disse em tom descontraído.


Jim arregalou os olhos. Grissom levou o dedo indicador em direção à boca, pedindo silêncio. Com a outra mão, apertou o ''play'' do gravador. A voz de Richard saiu:


Richard: Interessante. 


Grissom pausou o gravador. Pegou o celular, levando-o próximo da boca. Tossiu alto.


- Desculpe. - acrescentou Grissom alterando a voz. - Estou gripado.  


A voz grave riu.


- Dá pra ver. Tá com voz de viado.


Jim arregalou os olhos. Levou a mão boca, quase rindo. 


Grissom pigarreou alto. Sua voz saiu um pouco mais convincente.


- Hã cara, tô precisando duma ajuda tua! - exclamou acrescentando seriedade em sua voz.


- Pensa que eu num vejo jornais?  Soube da morte da sua vadiazinha - rosnou. Jim começou a gravar a conversa. - Que papinho mais tosco esse de ''assalto''. Sorte sua de ter pais ricos. 


- É tenho sim.  Mas, sobre aquele assunto...


- Eu sei. Vi seu torpedo, só tava me perguntando quando ia me ligar.  


Jim olhou para Grissom curioso, mas não se manifestou.


- Claro. Aliás, nós temos que nos encontrar não acha? 


- Podemos conversar disso por celular, mesmo. Mas, cara agora que o monstrinho 1 já está morto, porque não aproveita e tenta se livrar da monstrinha 2?


- As circunstâncias não são favoráveis. 


- Claro, claro. Mas, e aquele outro esquema que nós combinamos alguns dias atrás? Sabe tráfico de drogas. Os bolivianos estão pegando no meu pé, 


A prova perfeita. Mas, algo ainda me intrigava na ligação: o criminoso incentivava Richard a matar sua irmã, mas não o acusava diretamente do assassinato de seu irmão. O tom de voz do bandido indicava uma certa intimidade, deviam ser amigos há muito tempo. E pela data dos fatos... 


Richard planejava matar seus irmãos. E contava com Natalie para isso, mas como nós sabemos, algo não deu certo. 


Rick tinha alguma culpa nos assassinatos, não havia dúvidas, mas antes de partir para este ponto eu precisava da prova mais concreta - ergueu o relatório da autópsia. Em seguida pegou um outro documento com as evidências coletadas por Sara. - Mandei essas duas cópias para o alto escalão, para que eu conseguisse um mandato para que Sara entrasse na casa, foi um estalo. 


Só que eles não podiam saber que estavam sendo encurralados. Esperei, serem interrogados. Mandei você pedir um segundo mandato para distrair os pais. A família Ravener é uma das famílias mais ricas e influentes de Las Vegas. Interfeririam na investigação à seu favor, como exemplo nos delatar falsamente ao FBI, antes mesmo de chegarmos à cena. 


Richard: Típico. Os Raveners só dão importância aos filhos quando sua reputação está para ser manchada. - desdenhou debochadamente.


Mandei você para pedir um segundo mandato de busca. Nós não acharíamos estranho, afinal, eles poderiam pedir um segundo para comprovar.


Mas, e a morte da moça e do garoto? Descobri que Robert sofria de bipolaridade. E que sabia bem mais do que aparentava. Descobri também que Richard e Natalie queriam se mudar. 


Victoria: Diria que é a de uma criança com um brinquedo novo. Você brinca com ele durante um tempo, então quando se torna obsoleto... - sua voz tremeu um pouco. - Joga fora. - finalizou enigmaticamente.


Como eu disse, Victoria e Robert eram muito próximos de Richard. Ele os fez assinar uma procuração nomeando-o seu representante. Quando descobriu a verdade, Vick caiu fora, mas Robert continuou. E para impedir que o irmão fosse embora criou um dossiê para chantageá-los. E principalmente, Natalie.


Robert pôs a mão na têmpora. A dor pareceu romper seu crânio, escorregou na porta. Ouvia vozes altas e excitadas. Pausa. Natalie falou, sua voz era descontraída e entusiasmada.


Natalie: E então quando nós vamos no mudar daqui? 


Richard: Logo, logo amor. Esse esquema que estou armando com Calixto é definitivo.


Natalie: Mas, e a grana do pestinha? É uma fortuna dá pra gente viver no bom e no melhor pelo resto da vida. Nem precisa disso.


Richard: Precisa, sim. Estou com uma dívida com ele. Uma dívida muito séria... Preciso me livrar dele! E pra me vingar dos meus pais. - fez uma pausa dramática. - Mato os pirralhos!


A dor se intensificou. Um temor tomou conta do seu corpo. Não poderia deixar. Invadiu o quarto. 


E foi essa cena íntima que Robert interrompeu. Richard logo, claro o expulsou e seu irmão após ouvir, por segurança deixou este dossiê no quarto da irmã junto com um bilhete de aviso. E em seguida tentou intimidar a cunhada. 


A sala estava vazia sombria. Luzes desligadas, clima estéril. Escondido na penumbra das sombras, Robert segurava uma faca cujo cabo não pretendia empunhar. 


Pensou em invadir o quarto, mas se lembrou da mensagem que havia lido no celular de Natalie. Seu amante traficante iria vir buscá-la às 1h30, mas não havia como avisar seu irmão sem que Natalie tentasse e conseguisse manipulá-lo.


Um estrépido metálico. A porta se abriu, agora já vestida, Natalie saía cautelosamente do quarto do namorado. 


É minha hora de agir, pensou Robert com repentina coragem. Saiu do seu esconderijo nas sombras e atacou. Empunhando a faca, vestia uma máscara de caveira e um conjunto de roupas toda brancas que haviam sido propositalmente sujadas de ketchup.


Natalie riu. Uma risada suave, mas falsa.


Natalie: Moleque idiota... Tá precisando de umas aulas de atuação, hein? Nunca vi fantasia mais vagabunda, e olha que eu moro no subúrbio.


Robert: Vê-se logo suas habilidades dramaticais, vadia. 


As máscaras caíram. Visivelmente irritada Natalie deixou de lado a expressão dócil e ingênua para a gélida e sombria.


Natalie: Quanto você sabe? - questionou quase rosnando.


Robert: Sei que Richard é um traficante de drogas, sei que você fez a cabeça dele para que ele planejasse o meu assassinato e o da minha irmã, e sei... - ele deu um sorriso debochado. - que essa não é a única cama que você dorme. 


Natalie: Como você... 


Robert: Há muito tempo já desconfiava, mas só agora decidi tirar à prova. E para você não deve ter sido difícil visto que um garoto rico e solitário a droga seria um consolo... - Hesitou, Natalie parecia domada. Apavorada demais para reagir, seria prudente abaixar a guarda? Olhou para a faca. Não. - E sobre aquela procuração, Vick já anulou a assinatura dela, só falta a minha. E cada um de nós possuí uma rica herança... - atiçou com cautela. - Saía daqui por uns tempos, suma. Garanto que eu pago você no momento certo. - nervoso, acrescentou: - Eu sempre pago as minhas dívidas. 


Natalie pareceu pensativa, mas sorriu. Aquele mesmo sorriso venenoso e... 


Assassino. 


Robert não teve tempo para reagir. Com um eficaz golpe de karatê, Natalie o desarmou e o empurrou escada abaixo. Teria chamado bastante atenção se a sua queda não fosse amaciada pelo tapete macio que pisavam quando subiam a escada.


Confiante, Natalie desceu silenciosamente a escada como uma Lady. Neste momento, Robert paralisou. Sentiu medo, e o medo paralisou suas reações.


Robert: Pense bem no que vai fazer! Meus irmãos vão chamar a polícia, as evidências vão mostra que -


Natalie riu ruidosamente.


Natalie: Será? Será que vão acreditar em você? O moleque com transtorno bipolar! - aproximou-se devagar. - E é melhor você rezar! - tentou enfiar a faca, mas seu golpe fora aparado. Com um esforço quase descomunal, Robert chutou o joelho da inimiga empurrando-a... Direto para a mesa de vidro, onde sua cabeça bateu.


Robert sentiu um misto de alívio com medo. Ela parecia viva, e com medo, afinal de contas. Suspirou, mas não muito. Natalie começara a gritar desesperadamente. 


Robert: Não. Não! 


Natalie: Richard! Richard! Socorroooo! Seu irmão quer me matar! - arregalou os olhos, olhando para sua mão empapada de sangue. - Richard!


Não falou mais. Seu último grito de desespero fora abafado por outro. O de Robert. Com um só golpe com o taco de beisebol, Rick o deixara desacordado. Não por muito tempo, arrancou a faca das mãos da desfalecida namorada e golpeara sem nenhuma piedade o estômago do irmão mais novo. 


Vick finalmente descera. Seus olhos azuis com olheiras pálidas. Desviou seu olhar delicadamente para o corpo do irmão. Quase chorou. Olhou para o corpo da cunhada. Riu. Riu ruidosamente. E olhou para Richard, um consenso silencioso havia sido formado: Precisavam se livrar dos corpos.'' 


Grissom finalizou encarando o subordinado ansiosamente. Nick permanecera em silêncio processando o resumo dos fatos, e a reconstituição do crime à partir das evidências.


Entretanto, uma coisa ainda o intrigava.


Nick: Porque não fomos pra lá? Porque ainda não prendemos esse maníaco! Se ele matou o irmão é bem capaz de fazer o mesmo com a irmã.


Grissom:  E é o que nós iriamos fazer. Até antecipamos a prisão antes de contar tudo, só que eles desapareceram ainda no início do dia, os dois. Irmão e irmã. - sacou a arma determinado. - E nós vamos caçá-los até achá-los.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Grissom entrelaçou as mãos atrás das costas num gesto visível de reflexão. Mas, não era. Era frustração. O FBI mais uma vez atropelava os fatos atrás dos resultados. E ele não pudera fazer nada.

Grissom – Como é que vocês não perceberam? Um corpo. – enfatizou. – Dava para sentir o cheiro há dois quarteirões!

Warrick – É claro que nós sabíamos. Até tentamos verificar se o FBI não ordenasse que a cena do crime permanecesse intacta para averiguação!

Catherine – Conseguir remover o corpo para que a autópsia fosse realizada foi a medida mais radical que conseguimos até agora.

Grissom – Sei que a culpa não é de vocês. – replicou Grissom igualmente feroz – Mas, podiam ter me avisado. Jim poderia...

Warrick – Jim está igualmente impotente nessas circunstâncias.

Grissom – E o desaparecimento do irmão? – quis saber curioso.

Catherine – Os vizinhos alegaram visualizar um vulto próximo da entrada da casa. Tinha mais ou menos a altura dele. E eu pensei, bem, pensei que ele talvez pudesse estar vivo. 

Todos nós pensamos. Todos nós sempre esperamos, pensou Grissom involuntariamente.

Atravessando a extensa sala da suntuosa Mansão, Sara sentiu repentinamente uma sessão de vazio que a atormentava. Havia uma coisa que faltava ali.

Lembrou-se de Grissom, então compreendeu. Amor.

Vestindo as luvas de látex observou todo o lugar com um olhar perito. Localizou na quina da mesa de vidro uma marca aparentemente imperceptível de sangue.

Natalie cambaleou. O estômago ardendo pelo soco. Lutando para se manter em pé tentou visualizar o inimigo. Então o golpe final. Sentiu ser empurrada para algum lugar. Então a dor.   

Sara sentiu o entusiasmo correr pelas suas veias como seu sangue. Retirou do bolso da calça o que parecia ser uma caneta.  Uma caneta de luz negra que possibilitava identificar manchas de sangue mesmo quando haviam sido lavadas ou adulteradas.

As bochechas de Sara doíam. Um sorriso alargava-se involuntariamente na sua face.

 Sala de interrogatório;

Jim:  Richard Edward Ravener, 19 anos, cursa o terceiro de química. Notas altas, mas vem faltando nos últimos meses... Por quê?

Richard: Isso é uma sessão de psicanalise ou interrogatório?

Jim: Tento ser os dois para obter uma confissão.

Richard: Não matei Natalie, nem Robert. Eu amava os dois.

Jim: Será?

Richard dá um soco na mesa irritado.

Richard: O que você quer então?

Jim: Quero a verdade. Acima de tudo. E porque – consulta rapidamente uma lista de depoimentos. – os empregados afirmavam que a sua relação com os seus irmãos era de longe amistosa.

Richard: Família é assim. Nós brigamos, mas no fundo gostávamos uns dos outros. – fechou os olhos, havia vacilado em falar a última frase.  – Vick também não se dava bem com Robert.

Jim: Eu sei. Eu a interroguei há algumas horas. E ela falou o mesmo de você.

9x01 - Sangue Do Meu Sangue

É uma bela noite em Las Vegas. Sexta-feira, véspera de fim de semana, mas ainda sim uma calmaria quase apavorante se estende na Rua River, ou vulgarmente conhecida como o endereço das famílias mais influentes da cidade.

Entretanto, a calmaria não é definitiva. Discutindo ferozmente na suntuosa Mansão aparentemente abandonada, estão dois jovens adolescentes.

Robert – Hoje, é a minha vez! Eu pedi pro papai e ele mandou você me dar o controle!

Victoria – Não mesmo. Aqui predomina a lei de primogenitura: ‘‘O mais velho manda, o caçula faz’’. Ou seja, - ela levanta o dedo indicador – suma!

Magoado, o garoto sobe correndo os lances de escada até chegar ao local desejado: um corredor mal iluminado no qual se destacava um único cômodo. 

Hesitante, ele dá uma leve batida na porta. Sem resposta ele abre lentamente a porta. Mal contendo um grito de repulsa, o garoto saí correndo esbarrando num dos móveis de madeira.
Assustado, um garoto mais velho moreno, alto e franzino percebe o flagra.

Ricardo – PIRRALHO... DESGRAÇADO! SAÍ! SAÍ DAQUI OU EU ACABO COM VOCÊ!

1h15 da manhã.

A noite é escura e gélida. Las Vegas já não aparenta o mesmo charme do entardecer. Imperceptível, um pequeno alarme dispara no bolso do casaco da moça ruiva dormindo no sofá.

Bocejando, ela espreguiça-se em seguida consultando o relógio:

Victoria – Droga, já é muito tarde. Preciso acordar cedo para manter o teatrinho de garota exemplar...

1h30

Desta vez, a rua está totalmente escura. O local é sombrio e apavorante, mas ainda sim, o extenso piso de pedra é iluminado pela fraca luz do luar.

A Mansão é o cenário novamente. Está calmo. Se não houvesse um corpo de uma bela jovem estendido no carpete.

E se ela não estivesse morta.

2h50

Peritos recolhem o corpo da moça para autópsia. A rua inteira está apinhada de viaturas de polícia, e inúmeros repórteres ansiosos por detalhes do caso.

Grissom, Nick e Sara chegam ao local.

Nick – Uau! Nunca vi tantos repórteres assim num só caso... Algum ator está distribuindo autógrafos de graça?

Sara – Não sei, mas de certo é grave. Toda divisão está reunida.

Grissom – Sim, e isso é um péssimo sinal. Se há mídia então vão chamar...

Jim –... O FBI. Mas, eu já estou cuidando disso.  Primeiro temos que lidar o caso, depois despachar os corvos, e em seguida espantar os urubus.

Grissom – Você tem bastante experiência aviária.

Jim – Anos de prática.

Nick – Mas, mudando de assunto. O que foi que aconteceu aqui?

Jim – Uma moça foi assassinada. – falou Jim num tom de extrema seriedade.

Nick sabia que não importante qual fosse o caso o grau de seriedade era o mesmo, mas sentiu uma súbita vontade de rir.

Nick – Sim, mas só isso?

Jim – Não é a morte da garota que gerou todo esse bafafá, Nick. É que só havia três pessoas na casa no momento da morte. Três irmãos. – ele pigarreou alto. – Menores de idade.

____________

Catherine não pode deixar de sentir um nó na garganta ao analisar novamente a foto do cadáver da jovem assassinada, Julie, era o seu nome. Devia ter 16 ou 17 anos, e para seu pavor a mesma idade de Lindsey.

Catherine –  Ela parece surpresa, como se estivesse sido surpreendida.

Warrick – Ou atacada, mas isso nós já sabemos. – ele se inclinou para olhar a foto. – Muito jovem. Um desperdício de vida.

Catherine – É eu sei... Estava me lembrando de Lindsey. – suspirou por um longo momento. – Jim já entrevistou os vizinhos?

Warrick – Não foi preciso. A casa tem um elaborado sistema de segurança. Nenhuma pessoa mesmo que ladrão ou até vizinho conseguiria roubá-la sem que o alarme não fosse ativado instantaneamente. A entrada era autorizada através de um comando de voz. 

Catherine – E é feriado. Dia de folga dos empregados...

Warrick –... E os pais estão viajando.

Catherine suspirou. Sabia o que aquilo significava.

Catherine – Então quer dizer que um deles...

Warrick – Matou a cunhada. Ou namorada. Nenhum suspeito foi descartado.

_______ 

A mansão da família Ravener parecia de longe o que Sara imaginava ser uma. Mil vezes maior, possuía uma arquitetura clássica, tipicamente Vitoriana. Mas, que se mesclava perfeitamente bem com a decoração moderna e jovial que o local emanava.

Nick – A cena do... – Nick não conseguiu terminar foi interrompido por um Jim que levantou o dedo indicador apontando para um ponto mais adiante da suntuosa sala.

Instantaneamente, o rapaz sentiu uma forte náusea apertar seu estômago. Cheiro de putrefação e sangue.


Antes que Nick pudesse falar algo, Sara foi a primeira a se manifestar.

Sara – O que? – ela parou apertando o nariz com repugnância. – Ainda não removeram o corpo?

Jim – Há horas. E é isto que nos intriga. De onde vem esse cheiro então?

Grissom – Um cadáver. – respondeu Grissom sombriamente. Seu olhar tornou-se gélido, estava pronto para dar uma bronca quando algo chamou sua atenção.

Nick saíra do seu lugar. Não falou nada, seu faro o guiou. Rápido como um relâmpago correu para o armário de casacos. E girou a maçaneta.

Caindo aos seus pés o corpo de uma criança em semi-estado de decomposição. O terceiro irmão.