O maxilar de Victoria tremia. Não queria admitir, mas pela primeira vez na vida sentia medo. Era verdade: detestava seu irmão caçula pela sua estúpida ingenuidade, mas ele era um consolo. O único que apesar das brigas e discussões não havia a abandonado. Mas, ele se foi... Não lhe restava nada. Contava mesmo seus pais como falecidos.
E Rick. Nesse havia perdido esperança há tempos desde que conhecera a tal Natalie e havia mudado feito cerveja de churrascaria para cerveja vagabunda do botequim.
Quase sorriu com a piadinha interna, mas suas divagações foram interrompidas pelo som de um pigarreio alto.
Jim: Victoria Valentina Ravener, 14 anos, estudante... Uau! Universitária. Inteligência precoce?
Victoria: Sim, também tenho três blogs, um twitter com 50 mil seguidores... ah! Um poodle preto chamado François. - acrescentou com arrogância.
Jim: Não o encontramos no local do crime. - brincou Jim.
Victoria: Ele morreu há dois anos. Viu? Precisam averiguar corretamente suas informações.
Jim: E nós averiguamos, a srta. é que está sendo evasiva para não responder as perguntas!
Victoria: Ué, então as faça.
Jim deu um profundo suspiro desgostoso. Seria um longo interrogatório, mas ele havia lidado com casos piores. Pensando melhor, não havia lidado não.
Jim: Certo. Qual era a sua relação com os seus irmãos?
Victoria: Amigável. Não éramos grudentos, mas não nós odiávamos.
Jim: Não é o que parece, seu irmão está morto.
Victoria: Não sou surda! - rosnou, travando o maxilar. Não iria chorar, não iria chorar... - Já me contaram.
Jim percebeu de cara o seu desconforto pois mudou rapidamente de assunto.
Jim: E quando foi que o viu pela última vez?
Victoria: Não sei o horário exato, mas lá pela meia-noite. Estávamos brigando pelo controle remoto. Rob se chateou e correu para o quarto do nosso irmão reclamar. Ouvi Rick gritar, e vi o seu vulto correndo de volta para o quarto. Acho que ele acabou vendo algo que não deveria. - um sorriso matreiro iluminou sua face. - E bem se a namorada dele estava lá, ele realmente viu algo que não deveria. - enfatizou maliciosamente.
Jim assentiu satisfeito sem falar uma palavra.
Jim: E a relação do seu irmão mais velho com vocês?
Victoria hesitou. Parecia estar presa em um doloroso conflito interior.
Victoria: Diria que é a de uma criança com um brinquedo novo. Você brinca com ele durante um tempo, então quando se torna obsoleto... - sua voz tremeu um pouco. - Joga fora. - finalizou enigmaticamente.
Agora
Richard não demonstrou qualquer emoção. Parecia neutro. Jim podia ver as engrenagens do seu cérebro trabalhando nas possibilidades.
Richard: Interessante. Parece que eu e minha irmã compartilhamos opiniões semelhantes.
Jim: Sem dúvida. Agora voltando às perguntas: Quando foi a última vez que você viu seu irmão?
Richard: Não sei a hora exata, talvez, umas dez horas.
Jim levantou uma das sombracelhas claramente interessado. Álibis interessantes, pensou consigo mesmo.
Jim: Certo. Em que circunstâncias?
Richard enrubesceu.
Richard: Uma coisa, quer dizer uma cena íntima que ele sem querer interrompeu.
Jim travou o maxilar obstinado. Um sorriso ameaça pairar em sua face enrugada. Richard pareceu perceber porque se remexeu desconfortável na cadeira.
Richard: São só essas as perguntas? - perguntou, ameaçando se levantar.
Jim nada falou.
Jim: Falta uma, mas ela é um pouco impessoal. - falou recuperando a seriedade. - Isso é claro se quiser responder.
E eu não quero, pensou aflito, mas isso naturalmente só complicaria a sua situação atual.
Richard sentou na cadeira, aprumando-se.
Jim: Natalie tem origem pobre, Rick. - ele fez uma leve pausa. - Posso chamá-lo assim?
Richard assentiu sem fazer nenhuma objeção.
Jim: Os Ravener são uma das famílias mais ricas e influentes de... - Jim não terminou. Richard fizera um gesto para ele parasse.
Richard: Já sei o que vai dizer. É o que todos me dizem! Sim, Natalie me amava e eu não tenho dúvidas disso. Terminou?
Jim: Sim. Você parece nervoso não quer...
Richard: Já estou bem. Quando eu e minha irmã podemos sair daqui?
Jim: Seus pais estão vindo de avião para cá até amanhã. Eles também contratarão um advogado para fazer sua defesa, então suponho como maior de idade e responsável judiciário atual da sua irmã vocês podem ir.
Richard: Típico. Os Raveners só dão importância aos filhos quando sua reputação está para ser manchada. - desdenhou debochadamente.
Levantou-se na rapidez de um raio, e batendo a porta ao sair.
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Autópsia
Albert observou o corpo da jovem estendido na maca de ferro com curiosa suspeita. Os exames feitos até agora comprovavam que já estava clinicamente morta horas antes do suposto ''horário do crime''.
Não se sentia ansioso ou nervoso por descobrir a causa. Era como o trabalho de um artista: concentração e disciplina.
Virou-a delicadamente de bruços, localizou um profundo corte acima da nunca. O sangue manchava seus cabelos louros platinados.
Lado de fora
A sala de espera sempre pareceu um lugar excitante para Victoria. Todos, inclusive ela, iam, mas sempre voltavam. Só que desta vez eles haviam ido definitivamente. E não voltariam.
E a decisão que havia tomado, era com certeza definitiva. Começaria agora.
Richard bateu a porta ao sair com um olhar quase insano, entretanto, manteve a postura. Ajeitou a camiseta verde oliva, e lançou um olhar feroz para a irmã que parecia saber o que aconteceria.
O local estava praticamente vazio. Folga de quase todos os funcionários. Ninguém veria.
- Irmãzinha, irmãzinha... - ele cantarolou com aparente calma. - Você fez uma coisa muito, muito feia. - cerrou um dos punhos. - Precisa ser punida!
Victoria: Não foi proposital. - ela tentou justificar, levantando-se. - Já me ferrei muitas vezes por causa de mentiras. Não quero que essa seja uma.
Richard: E será! - agarrou seu braço, apertando-o com força. - Nós havíamos combinado um álibi!
Victoria: Não faça esse discursinho de injustiçado. - quase cuspiu. - Você também colocaria a culpa em mim.
Ele empalideceu. Afrouxou a mão em seu braço. Victoria retirou o braço num movimento rápido.
Um sorriso sádico iluminava seu rosto.
Richard: Você sabe... - ela sussurrou incrédulo. - Como?
Victoria: O último ato do nosso irmão foi bastante sensato. Adivinhe, só onde ele escondeu?
Richard: Não! Ele confiava em mim.... Me idolatrava!
Victoria: Eu conhecia nosso irmão, Rick. Assim como nós dois, ele aprendeu a guardar segredos no colo da nossa mãe. Segredos e mentiras... Foi assim que fomos criados, e Rob... - seu sorriso murchou. - Tinha o pendor natural.
Richard pareceu ter voltado ao normal. Seus olhos faiscaram.
Richard: Pense bem no que vai fazer, irmãzinha. Eu tenho um carro, uma conta bancária recheada, e sou bem mais forte... Te levo daqui, arranco o dossiê, e me livro do que restar do seu corpo.
Victoria riu. Um riso sádico e desdenhoso.
Victoria: E acha que vai se safar? Os tiras estão na sua cola. Logo, logo eles conseguem um mandato para averiguar toda a casa. E a autópsia... - seu olhar tornou se sombrio. - Vai revelar a verdadeira causa da morte.
Richard pareceu pensativo. Viu seus olhos se esgueirarem discretamente para a porta, viu seu olhar sombrio e gélido para um pôster policial com a imagem de um homem asiático de cabeça raspada atrás das grades.
Richard: O que você quer então? Não dá para destruir evidências sem que marcas sejam deixadas.
Victoria deu de ombros sem importar.
Victoria: Papai e mamãe são podres de ricos vão mover mundos e fundos para te tirar daí e limpar o nosso sobrenome. Você me dá uma grana, eu destruo o dossiê. Contrato um advogado, peço emancipação judicial, reivindico minha herança. Pronto, você está livre.
Richard olhou para o chão, começou a andar em círculos. Suspirou.
Richard: Você tem razão.
Victoria: O que?
Richard: ... das três serpentes, só uma tinha veneno. Robert. Mas, para garantir a sobrevivência não é preciso só veneno. - Ele olhou para irmã. O brilho vermelho refletido em sua íris. - É preciso de inteligência. Planejar a armadilha. - ele a rodeou. - Encurralar a presa. E dá o bote.
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Nick tinha uma expressão cansada, mas triunfante. Era verdade, afinal de contas, um sobrenome conhecido ou uma conta bancária recheada podiam vencer a tenacidade dos CSI.
E ele era um.
Nick: Consegui! - anunciou ele triunfante ao entrar na sala de Grissom, arfando. - O mandato! Podemos averiguar a casa.
Grissom levantou uma das sobrancelhas levemente interessado.
Grissom: Obrigado por ter tentando, Nick, mas não foi preciso. Sara já está lá. E... – levantou um relatório. – Já recebi o resultado da autópsia.
Nick: O que? Sara foi lá sem autorização... Mas, isso pode dar suspensão. Pior demissão! - enfatizou sem conter a frustração.
Grissom: Quem disse que ela não tem autorização? – virou a tela do seu computador de frente para Nick.
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Sara andava pelos corredores do prédio do CSI apressadamente. Consultou o relógio por um instante. O fim do seu expediente.
Uma sensação de dever cumprido apoderava-se dela, embora agora que reavia os fatos, o caso pareceu mais fácil do que inicialmente.
Parou. Ouviu o clack de algo metálico sendo pisado pelo seu sapato.
Um anel prateado com uma ônix preta incrustrada jazia no chão gélido do local.
Estreitou os olhos. Aquele objeto era familiar.
Sara arregalou os olhos ao ver a silhueta de uma moça. Entre 13 ou 14 anos, sentada na calçada suja da Mansão rodeada por viaturas.
Usava uma camiseta preta, com a imagem de uma barbie decapitada. Um jeans surrado com cortes no joelho e uma anel prateado com uma ônix preta incrustrada. Seus olhos castanhos expressavam medo... E dúvida.
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Grissom: Então é isso. - finalizou Grissom para um Nick incrédulo.
Nick: Mas, só?
Grissom: Só.
Nick pareceu pensativo.
Nick: Então como saber se é verdade? Tudo que está aí?
Grissom: Eu averiguei todas as informações, é claro.
Nick: Porque... Porque não me contou antes? Isto poderia ter facilitado a investigação!
Grissom: Ninguém sabia. Aliás, você está sendo um dos primeiros a receber esta informação. Quando recebi este e-mail, supus erroneamente que se tratasse de alguma brincadeira de mau gosto com o objetivo de atrapalhar a investigação. Mas, então porque dois dossiês?
''Algo estava errado. Eu sabia disso, mas não pude deixar de notar o quão verossímeis as informações eram. E comecei a averiguar.
Tudo sigilosamente, é claro, e sem burlar as ordens recebidas: Não interferir na cena do crime, e coletar evidências. Comecei pelo telefone celular. Está foi uma demonstração de extraordinária inteligência do rapaz ao jogar o telefone celular do irmão pela janela. À está altura, Richard não poderia se livrar ou dele, ou deletar seus contatos questionáveis.
Grissom pareceu estranhamente ansioso ao entrar naquele local, seu sexto-sentido super apurado para evidências apitou desesperadamente. Pisou no gramado mal aparado temendo intimamente que fosse atacado por algum animal, como uma vez havia ocorrido na sua infância.
Estreitou seus olhos. Viu um objeto espesso e prateado na grama. Curioso, foi até lá e agachou-se. Um celular. Vestiu a luva de látex, pegou o objeto e o colocou num envelope plástico para evidências, pôs em seu bolso.
Depois disso, comparei as digitais para saber a quem pertencia o celular.
Jim abriu a porta. Trazia uma ficha consigo. Espiando de soslaio viu Richard Ravener beber todo a água do copo num só gole. Sorriu levemente.
E conferi as últimas ligações feitas. A surpresa. O garoto tinha contatos importantes com os intermediários de grandes traficantes.
Nick: Mas, Sara? - interrompeu Nick ansioso. - Porque ela teve autorização, então?
Grissom: A primeira coisa que fiz depois de tudo foi acrescentar ao dossiê provas que comprovavam a verdade nessas informações. Contactamos o alto escalão para apresentá-las, visto disso, o FBI não pode mais interferir. E muito menos a família Ravener.
Jim entrou na sala de Grissom. Seu olhar era gélido.
Grissom: Trouxe a gravação?
Jim: Sim, mas se esse é o seu plano, eu o aviso -
Grissom fez um gesto interrompendo-o. Apertou a tecla verde para efetuar ligações.
- Filho da puta! Não vê que que tava interrompendo minha foda, desgraçado? - disse em tom descontraído.
Jim arregalou os olhos. Grissom levou o dedo indicador em direção à boca, pedindo silêncio. Com a outra mão, apertou o ''play'' do gravador. A voz de Richard saiu:
Richard: Interessante.
Grissom pausou o gravador. Pegou o celular, levando-o próximo da boca. Tossiu alto.
- Desculpe. - acrescentou Grissom alterando a voz. - Estou gripado.
A voz grave riu.
- Dá pra ver. Tá com voz de viado.
Jim arregalou os olhos. Levou a mão boca, quase rindo.
Grissom pigarreou alto. Sua voz saiu um pouco mais convincente.
- Hã cara, tô precisando duma ajuda tua! - exclamou acrescentando seriedade em sua voz.
- Pensa que eu num vejo jornais? Soube da morte da sua vadiazinha - rosnou. Jim começou a gravar a conversa. - Que papinho mais tosco esse de ''assalto''. Sorte sua de ter pais ricos.
- É tenho sim. Mas, sobre aquele assunto...
- Eu sei. Vi seu torpedo, só tava me perguntando quando ia me ligar.
Jim olhou para Grissom curioso, mas não se manifestou.
- Claro. Aliás, nós temos que nos encontrar não acha?
- Podemos conversar disso por celular, mesmo. Mas, cara agora que o monstrinho 1 já está morto, porque não aproveita e tenta se livrar da monstrinha 2?
- As circunstâncias não são favoráveis.
- Claro, claro. Mas, e aquele outro esquema que nós combinamos alguns dias atrás? Sabe tráfico de drogas. Os bolivianos estão pegando no meu pé,
A prova perfeita. Mas, algo ainda me intrigava na ligação: o criminoso incentivava Richard a matar sua irmã, mas não o acusava diretamente do assassinato de seu irmão. O tom de voz do bandido indicava uma certa intimidade, deviam ser amigos há muito tempo. E pela data dos fatos...
Richard planejava matar seus irmãos. E contava com Natalie para isso, mas como nós sabemos, algo não deu certo.
Rick tinha alguma culpa nos assassinatos, não havia dúvidas, mas antes de partir para este ponto eu precisava da prova mais concreta - ergueu o relatório da autópsia. Em seguida pegou um outro documento com as evidências coletadas por Sara. - Mandei essas duas cópias para o alto escalão, para que eu conseguisse um mandato para que Sara entrasse na casa, foi um estalo.
Só que eles não podiam saber que estavam sendo encurralados. Esperei, serem interrogados. Mandei você pedir um segundo mandato para distrair os pais. A família Ravener é uma das famílias mais ricas e influentes de Las Vegas. Interfeririam na investigação à seu favor, como exemplo nos delatar falsamente ao FBI, antes mesmo de chegarmos à cena.
Richard: Típico. Os Raveners só dão importância aos filhos quando sua reputação está para ser manchada. - desdenhou debochadamente.
Mandei você para pedir um segundo mandato de busca. Nós não acharíamos estranho, afinal, eles poderiam pedir um segundo para comprovar.
Mas, e a morte da moça e do garoto? Descobri que Robert sofria de bipolaridade. E que sabia bem mais do que aparentava. Descobri também que Richard e Natalie queriam se mudar.
Victoria: Diria que é a de uma criança com um brinquedo novo. Você brinca com ele durante um tempo, então quando se torna obsoleto... - sua voz tremeu um pouco. - Joga fora. - finalizou enigmaticamente.
Como eu disse, Victoria e Robert eram muito próximos de Richard. Ele os fez assinar uma procuração nomeando-o seu representante. Quando descobriu a verdade, Vick caiu fora, mas Robert continuou. E para impedir que o irmão fosse embora criou um dossiê para chantageá-los. E principalmente, Natalie.
Robert pôs a mão na têmpora. A dor pareceu romper seu crânio, escorregou na porta. Ouvia vozes altas e excitadas. Pausa. Natalie falou, sua voz era descontraída e entusiasmada.
Natalie: E então quando nós vamos no mudar daqui?
Richard: Logo, logo amor. Esse esquema que estou armando com Calixto é definitivo.
Natalie: Mas, e a grana do pestinha? É uma fortuna dá pra gente viver no bom e no melhor pelo resto da vida. Nem precisa disso.
Richard: Precisa, sim. Estou com uma dívida com ele. Uma dívida muito séria... Preciso me livrar dele! E pra me vingar dos meus pais. - fez uma pausa dramática. - Mato os pirralhos!
A dor se intensificou. Um temor tomou conta do seu corpo. Não poderia deixar. Invadiu o quarto.
E foi essa cena íntima que Robert interrompeu. Richard logo, claro o expulsou e seu irmão após ouvir, por segurança deixou este dossiê no quarto da irmã junto com um bilhete de aviso. E em seguida tentou intimidar a cunhada.
A sala estava vazia sombria. Luzes desligadas, clima estéril. Escondido na penumbra das sombras, Robert segurava uma faca cujo cabo não pretendia empunhar.
Pensou em invadir o quarto, mas se lembrou da mensagem que havia lido no celular de Natalie. Seu amante traficante iria vir buscá-la às 1h30, mas não havia como avisar seu irmão sem que Natalie tentasse e conseguisse manipulá-lo.
Um estrépido metálico. A porta se abriu, agora já vestida, Natalie saía cautelosamente do quarto do namorado.
É minha hora de agir, pensou Robert com repentina coragem. Saiu do seu esconderijo nas sombras e atacou. Empunhando a faca, vestia uma máscara de caveira e um conjunto de roupas toda brancas que haviam sido propositalmente sujadas de ketchup.
Natalie riu. Uma risada suave, mas falsa.
Natalie: Moleque idiota... Tá precisando de umas aulas de atuação, hein? Nunca vi fantasia mais vagabunda, e olha que eu moro no subúrbio.
Robert: Vê-se logo suas habilidades dramaticais, vadia.
As máscaras caíram. Visivelmente irritada Natalie deixou de lado a expressão dócil e ingênua para a gélida e sombria.
Natalie: Quanto você sabe? - questionou quase rosnando.
Robert: Sei que Richard é um traficante de drogas, sei que você fez a cabeça dele para que ele planejasse o meu assassinato e o da minha irmã, e sei... - ele deu um sorriso debochado. - que essa não é a única cama que você dorme.
Natalie: Como você...
Robert: Há muito tempo já desconfiava, mas só agora decidi tirar à prova. E para você não deve ter sido difícil visto que um garoto rico e solitário a droga seria um consolo... - Hesitou, Natalie parecia domada. Apavorada demais para reagir, seria prudente abaixar a guarda? Olhou para a faca. Não. - E sobre aquela procuração, Vick já anulou a assinatura dela, só falta a minha. E cada um de nós possuí uma rica herança... - atiçou com cautela. - Saía daqui por uns tempos, suma. Garanto que eu pago você no momento certo. - nervoso, acrescentou: - Eu sempre pago as minhas dívidas.
Natalie pareceu pensativa, mas sorriu. Aquele mesmo sorriso venenoso e...
Assassino.
Robert não teve tempo para reagir. Com um eficaz golpe de karatê, Natalie o desarmou e o empurrou escada abaixo. Teria chamado bastante atenção se a sua queda não fosse amaciada pelo tapete macio que pisavam quando subiam a escada.
Confiante, Natalie desceu silenciosamente a escada como uma Lady. Neste momento, Robert paralisou. Sentiu medo, e o medo paralisou suas reações.
Robert: Pense bem no que vai fazer! Meus irmãos vão chamar a polícia, as evidências vão mostra que -
Natalie riu ruidosamente.
Natalie: Será? Será que vão acreditar em você? O moleque com transtorno bipolar! - aproximou-se devagar. - E é melhor você rezar! - tentou enfiar a faca, mas seu golpe fora aparado. Com um esforço quase descomunal, Robert chutou o joelho da inimiga empurrando-a... Direto para a mesa de vidro, onde sua cabeça bateu.
Robert sentiu um misto de alívio com medo. Ela parecia viva, e com medo, afinal de contas. Suspirou, mas não muito. Natalie começara a gritar desesperadamente.
Robert: Não. Não!
Natalie: Richard! Richard! Socorroooo! Seu irmão quer me matar! - arregalou os olhos, olhando para sua mão empapada de sangue. - Richard!
Não falou mais. Seu último grito de desespero fora abafado por outro. O de Robert. Com um só golpe com o taco de beisebol, Rick o deixara desacordado. Não por muito tempo, arrancou a faca das mãos da desfalecida namorada e golpeara sem nenhuma piedade o estômago do irmão mais novo.
Vick finalmente descera. Seus olhos azuis com olheiras pálidas. Desviou seu olhar delicadamente para o corpo do irmão. Quase chorou. Olhou para o corpo da cunhada. Riu. Riu ruidosamente. E olhou para Richard, um consenso silencioso havia sido formado: Precisavam se livrar dos corpos.''
Grissom finalizou encarando o subordinado ansiosamente. Nick permanecera em silêncio processando o resumo dos fatos, e a reconstituição do crime à partir das evidências.
Entretanto, uma coisa ainda o intrigava.
Nick: Porque não fomos pra lá? Porque ainda não prendemos esse maníaco! Se ele matou o irmão é bem capaz de fazer o mesmo com a irmã.
Grissom: E é o que nós iriamos fazer. Até antecipamos a prisão antes de contar tudo, só que eles desapareceram ainda no início do dia, os dois. Irmão e irmã. - sacou a arma determinado. - E nós vamos caçá-los até achá-los.
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