É uma bela noite em Las Vegas. Sexta-feira, véspera de fim de semana, mas ainda sim uma calmaria quase apavorante se estende na Rua River, ou vulgarmente conhecida como o endereço das famílias mais influentes da cidade.
Entretanto, a calmaria não é definitiva. Discutindo ferozmente na suntuosa Mansão aparentemente abandonada, estão dois jovens adolescentes.
Robert – Hoje, é a minha vez! Eu pedi pro papai e ele mandou você me dar o controle!
Victoria – Não mesmo. Aqui predomina a lei de primogenitura: ‘‘O mais velho manda, o caçula faz’’. Ou seja, - ela levanta o dedo indicador – suma!
Magoado, o garoto sobe correndo os lances de escada até chegar ao local desejado: um corredor mal iluminado no qual se destacava um único cômodo.
Hesitante, ele dá uma leve batida na porta. Sem resposta ele abre lentamente a porta. Mal contendo um grito de repulsa, o garoto saí correndo esbarrando num dos móveis de madeira.
Assustado, um garoto mais velho moreno, alto e franzino percebe o flagra.
Ricardo – PIRRALHO... DESGRAÇADO! SAÍ! SAÍ DAQUI OU EU ACABO COM VOCÊ!
1h15 da manhã.
A noite é escura e gélida. Las Vegas já não aparenta o mesmo charme do entardecer. Imperceptível, um pequeno alarme dispara no bolso do casaco da moça ruiva dormindo no sofá.
Bocejando, ela espreguiça-se em seguida consultando o relógio:
Victoria – Droga, já é muito tarde. Preciso acordar cedo para manter o teatrinho de garota exemplar...
1h30
Desta vez, a rua está totalmente escura. O local é sombrio e apavorante, mas ainda sim, o extenso piso de pedra é iluminado pela fraca luz do luar.
A Mansão é o cenário novamente. Está calmo. Se não houvesse um corpo de uma bela jovem estendido no carpete.
E se ela não estivesse morta.
2h50
Peritos recolhem o corpo da moça para autópsia. A rua inteira está apinhada de viaturas de polícia, e inúmeros repórteres ansiosos por detalhes do caso.
Grissom, Nick e Sara chegam ao local.
Nick – Uau! Nunca vi tantos repórteres assim num só caso... Algum ator está distribuindo autógrafos de graça?
Sara – Não sei, mas de certo é grave. Toda divisão está reunida.
Grissom – Sim, e isso é um péssimo sinal. Se há mídia então vão chamar...
Jim –... O FBI. Mas, eu já estou cuidando disso. Primeiro temos que lidar o caso, depois despachar os corvos, e em seguida espantar os urubus.
Grissom – Você tem bastante experiência aviária.
Jim – Anos de prática.
Nick – Mas, mudando de assunto. O que foi que aconteceu aqui?
Jim – Uma moça foi assassinada. – falou Jim num tom de extrema seriedade.
Nick sabia que não importante qual fosse o caso o grau de seriedade era o mesmo, mas sentiu uma súbita vontade de rir.
Nick – Sim, mas só isso?
Jim – Não é a morte da garota que gerou todo esse bafafá, Nick. É que só havia três pessoas na casa no momento da morte. Três irmãos. – ele pigarreou alto. – Menores de idade.
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Catherine não pode deixar de sentir um nó na garganta ao analisar novamente a foto do cadáver da jovem assassinada, Julie, era o seu nome. Devia ter 16 ou 17 anos, e para seu pavor a mesma idade de Lindsey.
Catherine – Ela parece surpresa, como se estivesse sido surpreendida.
Warrick – Ou atacada, mas isso nós já sabemos. – ele se inclinou para olhar a foto. – Muito jovem. Um desperdício de vida.
Catherine – É eu sei... Estava me lembrando de Lindsey. – suspirou por um longo momento. – Jim já entrevistou os vizinhos?
Warrick – Não foi preciso. A casa tem um elaborado sistema de segurança. Nenhuma pessoa mesmo que ladrão ou até vizinho conseguiria roubá-la sem que o alarme não fosse ativado instantaneamente. A entrada era autorizada através de um comando de voz.
Catherine – E é feriado. Dia de folga dos empregados...
Warrick –... E os pais estão viajando.
Catherine suspirou. Sabia o que aquilo significava.
Catherine – Então quer dizer que um deles...
Warrick – Matou a cunhada. Ou namorada. Nenhum suspeito foi descartado.
A mansão da família Ravener parecia de longe o que Sara imaginava ser uma. Mil vezes maior, possuía uma arquitetura clássica, tipicamente Vitoriana. Mas, que se mesclava perfeitamente bem com a decoração moderna e jovial que o local emanava.
Nick – A cena do... – Nick não conseguiu terminar foi interrompido por um Jim que levantou o dedo indicador apontando para um ponto mais adiante da suntuosa sala.
Instantaneamente, o rapaz sentiu uma forte náusea apertar seu estômago. Cheiro de putrefação e sangue.
Antes que Nick pudesse falar algo, Sara foi a primeira a se manifestar.
Sara – O que? – ela parou apertando o nariz com repugnância. – Ainda não removeram o corpo?
Jim – Há horas. E é isto que nos intriga. De onde vem esse cheiro então?
Grissom – Um cadáver. – respondeu Grissom sombriamente. Seu olhar tornou-se gélido, estava pronto para dar uma bronca quando algo chamou sua atenção.
Nick saíra do seu lugar. Não falou nada, seu faro o guiou. Rápido como um relâmpago correu para o armário de casacos. E girou a maçaneta.
Caindo aos seus pés o corpo de uma criança em semi-estado de decomposição. O terceiro irmão.
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