quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Victoria ainda dormia quando acordou assustada após ouvir um forte baque que sacudiu o carro e consequentemente seu corpo para a o teto do porta-malas.

Gemeu baixinho de dor ao abraçar as costelas. Um dos seus principais ferimentos provocados pela surra que levara do irmão.

E ao constatar isto também havia percebido que o carro parara, mas nada podia fazer com os pulsos e os tornozelos acorrentados.

O porta-malas foi aberto. Com estranha alegria apreciou os raios de sol que adentravam bloqueados pela silhueta de um homem.

Richard Ravener, seu irmão. E ele empunhava uma arma na sua direção.

- Levanta-se. - ordenou com frieza.

- Estou amarrada, sr. Inteligência absoluta! - debochou com desprezo.

-  E é claro que eu iria lhe dar a chave. - rosnou sem nenhuma emoção. - Mas, estava apreciando seu humor... - fez uma leve pausa, e sorriu. -  É a última vez mesmo.

Uma fina gota de suor desceu da testa de Victoria. Rezou, desejando que o último plano de Robert desse certo. E que Richard a deixasse viva até lá. 

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O nervosismo pareceu contagiar de uma vez só todos os CSI ali presentes. Vestidos a rigor, usavam coletes à prova de bala, armas devidamente escondidas e óculos de tiro utilizados para melhorar ao máximo sua capacidade visual para mirar.

Sara, no entanto permanecia impassível. A notícia do sequestro de Victoria podia não ser uma novidade, mas agora sentia-se pessoalmente responsável pela segurança da garota depois de encontrar o anel.

Sara: Novidades? - perguntou à Jim que chegava com uma expressão neutra.

Jim: O filho da mãe foi esperto, e pelo visto tinha culpa, porque antes de ir pro interrogatório pediu as contas da hospedagem. 

Greg: E segundo o depoimento do maleiro ele testemunhou uma discussão entre Richard e Victoria no saguão do hotel.

Grissom: Talvez, estivessem combinado um álibi e um deles discordasse.

Jim: E você tem razão. A rotina do dia do homicídio de ambos é similar, mas o horário contradiz totalmente.

Grissom: Além da lividez dos corpos. - refletiu em voz alta.

Catherine: Nós vamos ficar aqui discutindo circunstâncias científicas da morte, ou ir atrás do assassino? - revoltou-se Sara.

Nick: Catherine tem razão. - afirmou Nick em voz alta.

Sara: Eu também acho. - concordou Sara com um pouco mais de entusiasmo.

Grissom: Quem disse que isso não leva a algum lugar? As evidências, como nosso amigo Nick, sabe jamais falham. E neste momento elas apontam para o lugar onde tudo isso começou, e Rick quer terminar. - finalizou enigmaticamente.

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Ao entrar novamente naquela casa todos os pesadelos de Vick pareceram se materializar. Quis gritar por ajuda no momento em que percebeu que havia voltado a Rua River, mas se lembrou de que também que Rick não se arriscaria entrando ali se não tivesse certeza que estava sozinho. Provavelmente, viajando para o exterior com suas famílias até a tragédia ser esquecida.

Richard: Ah, lar doce lar! - enfatizou dramaticamente ao entrar. - Essa casa não nos traz boas lembranças, irmã?

Victoria: Péssimas para mim, mas para você devem ser ótimas. 

Richard: Adivinhou. Com essa sua mesma inteligência você também deve ter constatado o que eu quero não é?

Victoria: Não sei onde está o dossiê. - mentiu. - Robert me disse que deu ele à um amigo de confiança para guardá-lo em segurança.

Richard riu.

Richard: Amigos? Sério, você que aquele moleque devia ter mesmo amigos? Eu esperava mais de você, irmãzinha. - debochou. 

Victoria: Pense bem no que vai fazer, Richard. Renegando ou não seu sangue nós somos irmãos! 

Richard: Que mentira, irmãzinha. Eu me orgulho tanto do meu sangue que eu quero o seu! Vou te dar uma morte rápida e sem dor se me der o dossiê. Se não... - ele sorriu maníaco. - Vamos jogar!

Victoria suspirou. No momento que fechou os olhos um fluxo de memórias tristes e também felizes a invadiu. 

Victoria: Boas opções. - ela disse alegremente. - Mas, eu prefiro adrenalina. Vamos jogar!  

Richard piscou duas vezes chocado, mas sorriu. 

Richard: Se é o que você escolhe! - deu um tiro pro alto que ecoou por toda mansão, e sorriu. Correu para escada, pulando os lances de dois em dois degraus. Richard andou alguns passos sem nenhuma pressa.

Com um tiro certeiro, a perna direita de Victoria foi atingida. Reunindo todas as suas forças correu e arrastou-se para o quarto de Robert. Richard a chutou com um pontapé nas costas. Segurou seu queixo lhe desferindo dois tapas.

Richard: Fraca! Dos meus irmãos só admirava você por ter algum cérebro e dava alguma atenção a Robert por identificar nele semelhanças, mas só isso?

Victoria sorriu. Os lábios e os dentes ensanguentados. Espumando de ódio apontou a arma para a testa da garota. Não precisava dela para encontrar o dossiê. Acharia sozinho.

Ao ver a arma tão próximo, o sorriso de Victoria se desfez. Ainda olhava atentamente para trás, com um golpe certeiro de karatê deu-lhe um golpe no braço que fez a arma cair no chão e com o punho socou seu nariz.

Desorientado, ele cambaleou. Em poucos segundos, Sara o deixou inconsciente. 

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Levado pelos polícias, Richard praguejava e berrava maldições em todas as direções. Catherine não pode evitar rir, e acabou por contagiar Nick e Warrick ao seu lado. 

Victoria, mesmo ferida, ficaria bem e haviam acabado de saber que o processo de emancipação judicial movido pela menina dera certo. 

Sara, entretanto não se juntou aos amigos. Quis dar um beijo demorado em Grissom pelo seu já esperado sucesso na resolução do caso, mas decidiu conversar com Victoria. Tinha uma dúvida que a atormentara.

Deitada na maca da ambulância, estava anestesiada e mantinha um sorriso débil no rosto juvenil. 

Sentou-se, sem saber como começar.

Victoria: Faça a pergunta. - sussurou a menina com a voz rouca. Sara levou um susto.

Sara: Porque? Sabe, decidiu jogar. E se nós não tivéssemos chegado?

Victoria: Aí, eu estaria em maus lençóis. - brincou. - Mas, eu precisava de tempo. Minha intuição dizia que iriam me encontrar.

Sara: E o...

Victoria: O anel? Você está com ele? Gostaria de estar com ele para lhe responder esta pergunta. 

Sara piscou, mas não fez nenhuma objeção. Retirou o anel do bolso e o entregou a menina que pareceu radiante. Seus olhos estavam marejados.

Victoria: Obrigada! Obrigada mesmo! - agradeceu emocionada, envergonhada por ser flagrada naquele estado tão frágil, a garota logo se recompôs. - Eu sabia qual era o horário do fim do seu expediente. Quis esperar o Richard terminar o interrogatório, esperava arrancar o apoio dele no meu processo, mas afinal de contas não fora preciso. 

Sara: Mas, porque eu? - ela questionou incrédula.

Victoria: Sei reconhecer uma mente intelectual quando a vejo. E nós duas somos muito parecidas. - refletiu. - Nós odiamos nossos pais pelos seus atos. E ajudamos quando se precisa. - terminou sorrindo. 

Sara saiu da ambulância incrédula, mas não pode evitar um sorriso maroto. A garota era mesmo muito parecida com ela nessa idade.

Seus devaneios, no entanto foram interrompidos pela risada familiar de alguém que ela conhecia muito bem. E que amava.

Grissom: Acabei ouvindo sua conversa com a menina sem querer. - desculpou-se solenemente. - Mas, se isso for verdade você deve ter sido uma menina muito sapeca naquela idade.

Sara: Nem tanto. - retrucou chateada. - Não iria ajudar o assassino do meu irmão a esconder o corpo.

Grissom: Não dava para ela fazer isso naquelas circunstâncias, amor. Se bobear o assassino estava livre até agora aproveitando sua fortuna em algum lugar da Europa. - disse abraçando-a. 

Sara riu, apesar do clima tenso da situação. Colocou seus braços em volta do pescoço de Grissom.

Sara: E eu não vou ganhar nenhuma recompensa por ter paralisado o bandido antes que ele matasse a menina?

Grissom: Hum... - Grissom fingiu pensar. - Que tipo de recompensa você quer?

Sara: Seu beijo. 

Grissom a recompensou. 

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